segunda-feira, 1 de junho de 2009

Re: Fumaça verde, efeito legal

"Oi Capitão.
Domingo, quase meia noite. A Sagrada Família está vendo um show na televisão. Eu te escrevo. As [poucas] idéias de emprego são legais. Ainda falta, é verdade, aquela que te pegue com amor. Estou fazendo o possível. Minha cuca vai assim, assim... Crises meningocócicas às vezes, mas tenho conseguido levantar todos os dias. Se a sua boa vontade com a Internet lhe permite ir até o MSN, você já deve ter visto que estou trabalhando como louco. Pra cada idéia sua, duas minhas aqui. Pra cada fumacinha ‘lícita’, uma verde e elaborada. Pra cada pensamento seu, uma fuga escandalosa num imenso e colorido copo de bebida. Pra cada pensamento de morte no fim da noite, mais uma fuga a mais copos (com a quase certa ressaca moral do dia seguinte). Titia está bem. Passou o dia em casa. Vou vê-la amanhã. Estou com problemas de grana e sem soluções mágicas no horizonte. Estou só. Não tenho encontrado muitas pessoas pelas andanças, ou sequer pessoas muito inteligentes (ao menos boas ouvintes). Deve ser mesmo engraçado ler cartas daqui, aí. Assisti ‘os Três Mosqueteiros’. Fiquei alegre, filme lindo, bem-feito. Depois é toda a infância mentirosa da gente indo pra merda, o que é simplesmente maravilhoso. Sim, porque “um por todos e todos por um” só podia ser mesmo lema de bando, bandido, bêbado e louco. Agora já é muito tarde, vou ler Jazz Branco (seria sobre Jazz?). E a criatividade, como vai? Não vá se intoxicar com os cheiros do mato. Deixa isso pra mim. Prometo não ficar saudável demais, para poder te acompanhar (afinal, são anos no fumo, e eu ainda com alvéolos saudáveis...). Não morra, nem de saudade que não lhe ficará bem. Sim, sim, sim, escreva muito e rápido. O meu pior inimigo está ficando com sono, melhor eu me deitar.
Beijo (grande).
Tibério"
Meu bem estimado Tibério,
1. Bem verdade que o trabalho enaltece a alma do homem. Toda produção é válida, e nos enriquece - tanto no bolso, quanto em espírito. Continue trabalhando enquanto a vida vos permitir, sem nunca esquecer de dedicar um tempo ao ócio e aos amigos.
2. Minhas vontades se quintuplicam, minhas idéias se quadruplicam a cada hora, meu medo se triplica, minhas incertezas se duplicam. Preciso imigrar pro meu bem amado Sertão com urgência, com o fim de executar tarefas de vida que me engrandeçam e reparem muitas coisas. Ponhamos objetivamente as idéias minhas e tuas numa pauta, juntemos e vejamos tudo que há de viável, para ver no que dá.
3. O incenso da Índia é coisa rara nos meus pagos, vivente. Sorte a vossa que tem acesso livre a respirá-lo, para pôr a imaginação a trabalhar. O néctar de Baco, também, lhe auxilia um tanto na vossa criatividade, é verdade, meu caro amigo. Entretanto, não podemos esquecer que temos de passar sem eles todos, e que eles são apenas objetos momentâneos de diversão - coisas para vez ou outra.
4. Foda-se a ressaca moral. O que importa é o prazer momentâneo, e a certeza de, independente da esbórnia, ser uma boa pessoa, dotada de senso extraordinário de bondade - que tenho certeza que sois.
5. Me preocupo com Titia. Mande-a um beijo e diga-a que a guardo no meu coração, e que em breve, contará com um reforço no time da busca por um cônjuge.
6. Todos nós estamos fodidos de grana. Se tudo der certo, nas minhas projeções astrais (dignas de análise psiquiátrica), quando eu chegar ao Sertão, algo mudará em nossas condições financeiras, tende a certeza.
7. Tive uma idéia a mais, que depois contar-vos-ei: quando chegar, farei um trabalho extra com jornalismo informativo e político - independentemente do emprego que eu tiver. Minha criatividade anda a mil, quando não vai por desestímulo. Entretanto, não apelarei para nada vindo de Cabrobó e cercanias - não tem feito meu tipo.
8. Até que eu chegue ao Sertão (por esforço próprio), pararei de fumar. Depois, voltarei à prática e vos ensinarei como destruir os alvéolos em quarenta anos.
9. Permaneço vivo, a menos que meus objetivos não sejam cumpridos.
Grande beijo e te cuida,
Capitão Kohen

terça-feira, 19 de maio de 2009

Conselhos pautados nos meus próximos quinze dias

Meus próximos quinze dias serão memoráveis. Aproveitarei a vida de um jeito que só ela possa me oferecer. Farei obras memoráveis, darei conselhos memoráveis, e tratarei de demonstrar a todas as pessoas que eu não pude a minha infinita capacidade de amar - que concentrei apenas num ser humano infeliz, que saiu da cloaca de uma puta sifilítica, e que foi o único erro cometido por D'us em toda a sua existência.

Meu primeiro conselho é: amai, mas amai com toda a moderação possível. E quando alguém vos abandonar, e mesmo assim amardes, superai. A decepção pode ser pior ainda, enquanto sofreis, a pessoa pode estar rindo da vossa cara, bêbada, numa chopperia qualquer de uma merda de uma cidade de interior entre-serras, vos tratando como um bom corno.

O segundo conselho é: sede sempre verdadeiro, mas esperai a mentira dos outros. Prometerão mundos e fundos a vós: acreditai, sempre desconfiando. Para as promessas se quebrarem, é d'aqui pr'ali.

O terceiro conselho é: produzi, sempre produzi. Deixai uma obra memorável antes de morrer. Eu ainda não tenho uma, mas estou tentando deixar.

O quarto conselho é: gozai uma existência hedonista. Fazei a caridade, mas sempre lembrai de fazer a caridade a sua alma. Gozai, gozai, gozai de todas as formas possíveis a felicidade e a alegria. Se fumar lhe traz prazer, fume. Se comer lhe traz prazer, coma - sempre de forma comedida, porque acarretará em prejuízos imensos, como desvalorização da imagem por causa de um sobrepeso ou incapacidade respiratória elevada.

O quinto conselho é: sempre respeites a memória dos outros - o ódio causado pelo desrespeito à memória alheia pode ser imenso. Tenha certeza que a receita para uma vida com dentes e o corpo em perfeito estado, com um fígado e um baço inteiro - sem que ninguém os arranque para comer ao thermidor com molho rosé (uma iguaria!) - como eu desejo a quem desrespeita a minha memória - é o respeito ao meu nome e à minha honra.

O sexto conselho é: dai chances sempre a quem ama de verdade. Desprezar o amor de verdade é a ruína do incauto, e acolher o amor de verdade e amar a quem ama são os louros da glória do sábio.

Mais pra frente, vem mais coisa.

domingo, 17 de maio de 2009

Avaliação do semestre

Tenho uma avaliação severa pra fazer do que me ocorreu no semestre, pra pesar na balança a constância da vida. Muita coisa aconteceu de uma vez só, digna de nota, e as colocarei no balanço: hei de fazer um balanço das suas vidas este semestre junto comigo, também.

Este semestre, logo no início, terminei um noivado - a muito contragosto. A história, boa parte dos freqüentadores deste blog já conhecem de cor e salteado, e não contarei outra vez.

Fiz e me desfiz de uma turma de "amigos". Foi providencial, dada a falsidade descoberta depois.

Perdi uma avó. Prefiro não comentar muito, posto que só de lembrar, me descem as lágrimas.

Tentei parar de fumar - e, pra variar, não consegui. Adiei pro próximo semestre.

Voltei a fumar com ferocidade total. Isso me preocupa muito.

Entrei na musculação, e espero que eu continue no próximo semestre, já com resultados bem a mostra.

Por excelência, vontade de alguém (lá em cima ou aqui embaixo), ou algum motivo aleatório, ganhei uma patente militar. Entretanto, só começarei a gozar exatamente destes benefícios no dia 24 de agosto, quando começo o serviço no exército.

Concluí mais um período na universidade. Ainda não sei se perdi alguma matéria, mas o que importa é que concluí mais um período, o que de facto, já é uma vitória e tanto.

Tive um artigo indicado pra publicação, o que também é muito legal. Escrevi as dezenove páginas deste artigo em um dia só. :-)

Vi meu time ser campeão gaúcho invicto, também. Adorei isso. =D

Foi um saldo interessante, este semestre. Muitas coisas tristes aconteceram, muitas coisas alegres também - nada que suplantasse, entretanto, as coisas tristes. Vai demorar um pouco pr'eu me refazer deste semestre.

E vós, no que resultou o vosso semestre? Qual foi o saldo?

terça-feira, 12 de maio de 2009

Casos engraçados

Tenho uns causos engraçados pra contar - preciso lembrá-los um pouco pra rir. Tem uns que eu passei, tem outros que eu fiquei sabendo, e acho que de todo, vale muito a pena compartilhar.
Certa feita, eu participei da comissão organizadora de uma conferência estadual de direitos humanos. Fiz amizade principalmente com as travestis que tinham lá - elas me adoravam, já que eu as defendia com toda a garra. Uma delas era extremamente viajada, e me contou uma anedotazinha: ela estava viajando pela primeira vez de avião. Sacou dinheiro, pra ter notas novinhas na carteira. Quando a aeromoça foi passando com o carrinho por ela (nos áureos tempos da VARIG), ela pediu um whisky, sacou um notão de cinqüenta reais da carteira e disse: "cobre aí, por favor". Ouviu um polido e envergonhado: "senhora, tudo no avião é de graça". Provavelmente, todo mundo por lá deve ter rido dela tanto quanto eu ri toda vez que eu lembro.
Outra muito engraçada, que me aconteceu, foi um tanto quanto escrota. Um amigo, certa feita, me contou a história de uma empregada que tinha marcas de queimadura (Francisca Rubilândia, o nome da moça) - o tio dele a comeu, e as mesmas manchinhas que ela tinha na perna, tinha na xuranha. Noves fora, estava conversando com uma colega e ela me contava um caso muito triste. De repente, percebi que ela tinha manchinhas de queimadura no corpo - e lembrei imediatamente da história. Tentava segurar o riso, e quase explodia. =P
Contei também o da transa num banheiro de shopping. Foi extremamente constrangedor, e acho que todas as pessoas que estavam naquele banheiro devem ter se perguntado como duas pessoas se esconderam dentro de um box de shopping (!) e devem ter rido da cara das duas pessoas otárias. Não preciso repetir, né?
Uma vez, também, estava imitando um professor extremamente afetado de tão gay. Imitava os trejeitos, o rebolado e a voz. De repente, quando olho pra trás... Adivinha só quem estava? Saí de cabeça baixa da sala e demorei trinta minutos pra voltar. Foi um semestre inteiro sem conseguir olhar direito pra cara do sujeito.
Falar mal de uma pessoa e a pessoa escutar aconteceu diversas vezes - e me sinto até envergonhado das inúmeras. Comentar, por exemplo, que uma pessoa fedia e sem querer perceber que ela estava no recinto, se tornou uma coisa comum.
Certa feita, estava na casa de um ex-alguém-especial da minha lista de ex-alguéns-especiais e saí pra comprar pão. A mãe da criatura, minha sogra, que eu ainda não conhecia, não estava lá. Na fila do pão, uma mulher furou a fila e eu mandei ela voltar - com o bocão que tenho, não poderia deixar de fazê-lo - da forma mais estúpida possível. Tivemos um pequeno bate-boca e fomos pra fila. Quando saímos na rua, saímos na mesma direção. Entramos no mesmo prédio. O mesmo elevador. O mesmo andar. Quando caminhei pra porta... Era a minha sogra.
Por hoje, já deu. Depois conto mais.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Uma carta para que sirva de exemplo aos futuros aspirantes a amantes

M., me enganaste. Me fizeste acreditar no amor eterno, e que pra sempre ficaríamos juntos. Achei que ficaríamos velhos, moraríamos no Canadá, escandalizaríamos senhores de idade com nossos arroubos românticos em forma de beijos - engano, puro engano.

Te esperei naquele dia na Rodoviária da minha cidade, com uma mensagem no celular que me enviaste: "que seja doce". Doce não é a dor que me toma o coração hoje em dia.

Eu queria ser um cara sozinho, morrer sozinho, viver pros meus estudos - fazer minha faculdade, ir pro exterior logo, concluir meu mestrado e doutorado sem êxito e ter meu apartamento, onde sozinho eu fumaria e dormiria todas as noites. Contigo, eu passei a sonhar com uma vida a dois, dividindo tudo. Eu te amei como nunca amei ninguém. Um elefante (bem na tua porta, comigo em cima, a bradar "volta pra mim!") não foi suficiente pra ti, piá. Que mais seria?

Me prometeste tanta coisa e me faltaste com a verdade, também. Foste como um fariseu, que só acusa, vendo o argueiro no olho do outro conquanto não vê a trave que há no seu.

Eu espero que o Universo conspire e faça justiça.

Doravante, como disse, quero ser um cara sozinho. Consagrar minha vida para mim e meus estudos acadêmicos, me tornar um grande mestre do direito - um exímio jurista, lingüísta ou o que mais eu queira ser.

Eu admiro todas as pessoas que tem a plena capacidade de sonhar e se renovar quando vêem seus sonhos acabarem. Estas, são muito felizes por um espaço de tempo (curto ou longo) e muito tristes por outro mesmo espaço de tempo. Eu não quero isso pra mim. Não serei feliz, mas também não serei triste, porque não tenho sonho a ser destruído - não quero amar mais, e declaro meu coração eternamente fechado.

Eu só aspiro, sinceramente, que todos os que desejam amar de verdade nessa vida sejam felizes enquanto possam e se recuperem quando o amor acabar - porque o amor acaba. Pelo menos, de um dos lados, porque o meu nunca acabou.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Eu já...

Hoje, numa comunidade extremamente ativa e divertida que faço parte, postaram um tópico chamado "eu já", com confissões do que já fez na vida e do que deixou de fazer.
Fiquei pensando: é hora deste blogueiro vagabundo confessar algo sobre si. E vou confessar muitas coisas do que já fiz, e recomendo aos meus leitores que contem as experiências de vida. Vamos compartilhar momentos, e ver quantas coisas já fizemos em comum.
Eu já fumei duas carteiras de cigarro por dia. Neste tempo, eu não conseguia nem respirar sem que saísse fumaça: se eu tomasse um tiro, pareceria uma chaleira. Parei.
Eu já tentei aprender a dançar forró duzentas mil vezes. Ainda hoje, residindo na Bahia, não consigo sair do velho "dois pra lá, dois pra cá", quando minha coordenação motora está muito boa. (Sem efeito de decepções e tristezas, movida a pura adrenalina).
Eu já me relacionei sem amar a pessoa. Foi péssimo. Terminei decepcionando muito quem eu não deveria decepcionar, culminando no fim de algo que poderia ser pelo menos uma amizade duradoura. Até hoje não tive coragem de dizer a ela o quanto a acho bacana e o quanto queria ser amigo dela.
Eu já cantei ópera, quando era pequeno, na frente de um colégio todo. Eu tinha sete anos de idade e resolvi cantar, cantar, cantar, num festival de música que teve. Enquanto todos os meninos ensaiavam os passos dos Backstreet Boys, eu vestia meu terno cinza com seis botões dourados - tinha personalidade o suficiente pra pôr uma roupa desta aos sete anos - e cantava como o futuro Luciano Pavarotti que não me tornei.
Eu já dancei na chuva com meus bons novos amigos. E cantei: "chuva, eu quero que caia devagar". Não fiquei resfriado e saí de alma limpa.
Eu já amei. Profundamente. A primeira vez, foi nos meus tempos de escola. Fui atrás de alguém, no meu segundo ano colegial, assumi um romance aos quatorze anos e fui firme. Quando fui abandonado e traído, chorei por um tempo, até que apareceu a segunda pessoa que me fez sonhar de novo. Sonhei, fui traído, chorei muito, tentei voltar, me humilhei duas vezes e não me arrependo. Quando achei que já tinha perdido a capacidade de sonhar, me apareceu outra pessoinha, faceira, do interior. Fui atrás. Nos conhecemos numa bela tarde, trocamos um beijo ali, na Rodoviária, e eu pensei: é ela que amarei até o final dos meus dias. Viajei 330 quilômetros, de ônibus, atrás dela. Amei profundamente e quase casei. Fui abandonado às vésperas do nosso casamento.
Eu já me tornei amargo. Quando fui abandonado pela terceira vez, prometi não amar de novo nunca mais. Chorei tudo que eu pude.
Eu já tentei me matar. Na dor do abandono, no mais profundo desespero, tomei trinta comprimidos de remédios - e vi a dor de minha mãe, que mandava eu vomitá-los desesperadamente. E vomitei. E não abandonei minha mãe, e tampoco minha vida, por alguém que não valia a pena - me desprezou, desprezou o meu amor e tudo que eu tinha para dar.
Eu já me recuperei de decepções. E prossegui minha vida. Continuei estudando, pra me tornar o mais brilhante pesquisador da área do direito - e mais modesto, também. Continuei trabalhando duro, pra me tornar um grande Capitão, um dia. Lutei contra toda a dor que as decepções me trouxeram, e prossigo vivendo, mesmo que vez ou outra brotem lágrimas nos meus olhos (porque homens choram também, e tão somente os grandes homens podem chorar!). E sinto que estou pronto para o próximo round, e sempre estarei.
Eu já aprendi a gostar de viver. A considerar a vida um grande jogo, onde nos tornamos perdedores ou vencedores a depender das nossas perspectivas. E já aprendi a desgostar também. Diversas vezes, um e outro. E é melhor gostar de viver, antes que a vida goste do nosso desgosto.
Eu já desisti de uma faculdade. Já decidi fazer várias outras. Já quis ser psicólogo, médico psiquiatra, aviador da marinha, veterinário, alto executivo e Presidente da República. Minha oftalmologista lembra que eu queria ser Presidente da República toda vez que a vejo, desde meus cinco anos de idade.
Eu já comemorei as vitórias do meu time inúmeras vezes. Disse, arrotando arrogância, em 2007, que meu time, o Internacional, era o melhor do mundo. E repito isso quantas vezes for preciso.
Eu já chorei muito por causa de futebol também. Todas as vezes que o Internacional deixou de ganhar, eu, como torcedor passional que sou, chorei!
Eu já fui enaltecido diversas vezes. Já fui excluído outras diversas. E assim levei a vida, sem problemas com os enaltecimentos ou exclusões.
Eu já vi o Presidente Lula de perto. Quantos o viram? Para uns pode ser bom, para outros pode ser ruim, mas o que importa é que eu poderei contar pros meus filhos: conheci um Presidente que mudou, para o mal e para o bem, a história do país onde vós viveis - se este país for o Brasil.
Eu já parti muitos corações. Já fiz muita gente sofrer.
Eu já fiz, também, muita gente sorrir em meus braços. E foram muitas vezes mais do que os corações partidos.
Eu já fiz amor dentro de um banheiro de shopping. Foi a maior maluquice que fiz. E os seguranças descobriram, e passei vexame muito grande. Eu rio disso até hoje quando eu lembro.
E querem saber? Não me arrependo de muita coisa (outras, me arrependo profundamente) do que fiz. Estas experiências me engrandeceram como homem e me deram um aprendizado ímpar de vida, que muita gente não tem com o dobro da minha idade.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ações para administrar um sofrimento de perda de um amor

Caros companheiros de jornada,

Como um irmão experiente vosso, venho ensinar-vos como lidar com o sentimento da perda de um amor - muito experimentado por mim, como quem bem me acompanha sabe, por muitas vezes. Este sentimento - o mais cruel de todos - que nos lota de vazio e nos acorrenta, nos dando a impressão de uma morte para a toda a vida, de uma paralisia eterna, completa e irrestrita porquanto perdure, pode ser vencido com uma série de medidas combativas que o Capitão Kohen, experimentado velho de guerra, tem a vos ensinar. Ei-las:

1. Ocupe-se!
Dedique o máximo do vosso tempo a não pensar naquele amor que vós perdestes. É uma tarefa difícil, mas pode ser feita através de uma medida muito simples: ocupação. Se percebeis ócio em sua vida - abrindo espaço para depressão e tristeza - ocupe o seu tempo com uma atividade livre: ler um livro de Goethe ou Schiller, que são de uma complexidade imensa, fazer um curso livre de teatro, se tiverdes dinheiro, são coisas úteis. Correr na Orla, também, é uma excelente solução.

2. Divirta-se!
Tente divertir-se o máximo possível no intuito de esquecer esta dor. Marque com as vossas amigas ou os vossos queridos camaradas velhos de guerra de ir tomar um chopp nas sextas-feiras, vá ao teatro, vá assistir um jogo de futebol no boteco... Divirta-se! Onde houver uma oportunidade maciça de diversão, faça!

3. Se valorize e pense mais em si.
Pense no quão maravilhosos vós sois e em quanta gente bacana no mundo existe. Bem sei que, se estiverdes nessa condição de "abandonado(a)", somente ele(a) serve-vos, mas muita gente ainda existe. Pense no vosso valor, na vossa beleza, e tente se tornar uma pessoa mais bonita. Invista no seu charme, na sua elegância (isso vale para os homens também), ganhe auto-confiança e se jogue no mundo.

Esses conselhos do Capitão Guilherme Kohen, duas vezes corno e uma vez abandonado na beira do altar, são utilíssimos. Dentro de um mês estareis mais revigorado que com trabalho de pai-de-santo.